sexta-feira, 8 de maio de 2026

Filosofia felina

 

Imagem Pixabay

Depois de ouvir e relaxar com Wagner, conhecido por sua intensidade, por sua paixão e por sua grandiosidade, Imaculada, minha estimada gata, em um estado de espírito elevado, quase romântico, despojado, decidiu deixar-se amar ao defrontar-se com um pássaro cantor pousado na janela do alpendre, e o fez porque foi tocada pela cena que parecia dizer-lhe mais sobre o que flui na alma, pois para sustentar o peso do próprio voo, elaborou a minha elegante gata, é preciso o pouso para que o peito, enfim, se acalme. 

José Carlos Sant Anna,

8/maio/2026


12 comentários:

  1. Seu poema pode ter muitas leituras Sant Anna ,é como o felino _um mistério elegante de difícil interpretação e sempre poeticamente perfeito. Dizem que os felinos se escondem entre as auroras_ com uma coreografia sinuosa e dormente , demonstram amor pelo dono com uma piscadinha lenta . Quem gosta de poesia gosta dos felinos, entendo bem dessa filosofia porque também tenho uma gata . rs
    Cuida bem da sua, poeta. Um abraço e Parabéns , o poema é indescritível como os felinos. E, lindo !
    meu abraço.

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  2. Olá, amigo José Carlos, esse seu belo texto não
    poderia ter saído diferente, depois de ouvir a música de Wagner,
    compartilhada com sua gata, gata que deve ter um espaço na sua
    casa e na sua vida.
    Gostei muito.
    Um ótimo final de semana, com muita saúde e paz.
    Grande abraço.

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  3. Muito lindo. Quase enamoramento como "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá".

    Abraço!

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  4. Que linda é a Imaculada.
    “Um cão, eu sempre disse, é prosa; um gato é um poema.” (Jean Burden)
    Adorei....

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    1. Adorei a pérola da ourivesaria de Jane Burden.
      Não a conhecia.
      Obrigado...

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  5. Caro amigo José Carlos
    Adoro a intensidade da música de Wagner, de modo que devo
    ter algo felino que me aparenta com a sua linda gata.
    Também admiro o voo, a elegância e a facilidade com que os
    pássaros demandam os céus, mas lembro-me que Ícaro o quis
    fazer e que lhe saiu mal.
    Por isso fico-me só pelo desejo de abrir as asas, deixando que
    a Alma se aquiete e não entre em altos voos.
    Gostei muito do seu texto, meu amigo.
    Beijinhos
    Olinda

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    1. "devo ter algo felino que me aparenta com a sua linda gata", gostei de sabê-lo, amiga Olinda!

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  6. Será que a música de Wagner teve um efeito hipnótico na gata?
    Que ela, a música, seja de que género for, tem influencia no estado de espírito dos humanos, disso não há dúvida.
    Magnífico texto, gostei imenso.
    Boa semana caro amigo.
    Um abraço.

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  7. Ou a gata só queria mesmo ver o momento exato, filosoficamente falando, para almoçar o petisco que Wagner lhe trouxe.

    belo texto!

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  8. Boa tarde JC
    A sua prosa tem um encanto contemplativo muito bonito.
    Há nela uma delicadeza quase cinematográfica: a música de Wagner, a gata entregue ao instante e o pássaro na janela criam uma cena elegante e simbólica.
    Gostei especialmente da ideia do “pouso” como necessidade da alma uma metáfora serena e sensível sobre equilíbrio entre impulso e quietude.
    O texto flui com sofisticação e deixa no leitor uma sensação de calma reflexiva.
    Fiquei deslumbrada pela beleza de Imaculada(eu sou suspeita, adoro gatos).
    Continuaçao de uma semana boa, cheia de saúde e paz.
    Deixo um beijo.
    :)

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  9. Que texto delicadamente filosófico e sensível… Há uma beleza rara na forma como a cena cotidiana ganha profundidade quase existencial através da observação da Imaculada.

    A presença de Wagner ao fundo parece ampliar ainda mais essa atmosfera intensa e contemplativa, enquanto a gata, em sua elegância silenciosa, transforma um simples instante diante de um pássaro em uma reflexão sobre a própria alma.

    Achei especialmente lindo o trecho que fala sobre “o peso do próprio voo” e a necessidade do pouso para que o peito se acalme… Uma metáfora tão humana, tão verdadeira, sobre nossos próprios excessos, inquietações e buscas por serenidade.

    Os felinos possuem essa sabedoria intuitiva que muitas vezes nos escapa. Entre a contemplação e o instinto, parecem compreender o equilíbrio entre desejo de liberdade e necessidade de repouso.

    Um texto suave, inteligente e profundamente poético, que acaricia a sensibilidade de quem lê.

    EU AMOOOOOOOOO GATOS (TENHO 6)
    ABRAÇOS

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  10. Eros,

    há uma delicadeza rara na maneira como você transforma um instante simples em revelação.
    Imaculada deixa de ser apenas uma gata diante de um pássaro e se torna quase uma metáfora do próprio cansaço, esse desejo secreto de pousar depois de tanto sustentar o voo.

    E talvez seja isso que Wagner tenha despertado nela… ou em você: a compreensão de que até a alma mais altiva precisa, às vezes, encostar a cabeça no silêncio do mundo para continuar existindo.

    “É preciso o pouso para que o peito, enfim, se acalme” ficou lindíssimo. Porque há voos que só sobrevivem graças aos lugares onde aprendemos a repousar.

    Abraço
    Nanda

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