Em meioa um tormentoso frioe em engasgada ânsia,ela diz"és de mim que nasces",imberbe,vens mais perto, vens,e beija-me, e beija-me,e suplica-me no teu silêncioe no sorriso que leva o brilhoaos teus olhos.E toca-me,e beija-me,e toma a minha canetaem suas mãos,massageando-a delicadamenteà beira de extravasaro precioso líquidoenquanto as minhas mãosse expande pelo teu corpo,onde me perco, onde me acho,desenhando sílabasque se enroscam vorazes,impelindo-mepara dentro da tua mancha brancaquando sangramàs margens do teu cântarooutras sílabas e palavras e suspiros.E transpiro. E saboreio o canto, o ritmo,a musicalidade no teu corpo,do teu corpo, pelo meu corpo.Trêfegas,volto a desenhá-lasna página em fogo mais brandoe antevejo o longo fiocosturandoa face ainda oculta do poemaque revela seus dentesao se fazer e se refazer em minha medulae no desejo que me impele à salivaçãono vagar e nos afagos.(José Carlos Sant Anna)dezembro, 2025.
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Querido Eros,
ResponderExcluirUm mergulho intenso no território onde escrita e desejo se confundem. A caneta aqui deixa de ser instrumento e vira corpo, pulsa, transpira, cria e o poema nasce exatamente dessa fricção entre palavra e carne.
Há algo de muito visceral e, ao mesmo tempo, artesanal: sílabas costuradas, ritmo sentido na pele, o poema se fazendo e se refazendo como organismo vivo. Não é apenas erotismo é processo criativo exposto, sem pudor, mas com linguagem.
Um texto que provoca, inquieta e revela o quanto escrever também pode ser um ato de entrega.
Abraço
Nanda
Olá, amigo José Carlos, o que dizer de um poema tão
ResponderExcluirbem construído, que nos dá a impressão de que tende
para um lado, mas, na realidade fica a intenção e o poema
escrito na folha branca, com a tinta que brota da caneta do poeta.
Uma poesia para mais de uma leitura!
Aplausos, poeta!
Votos de um bom 2026, com saúde e paz.
Grande abraço.
Amigo José Carlos, feliz 2026!
ResponderExcluirQuando o coração pulsa, as palavras brotam sem embargo do coração poético.
Tenha dias abençoados e felizes!
Abraços fraternos de paz
Que "o canto, o ritmo, a musicalidade" se façam presença ao longo do Novo Ano!
ResponderExcluirFeliz 2026!
Quando o poema é assim bonito, palavras para quê ?
ResponderExcluirSó deixar o abraço, agradecer a honra de tê-lo comigo mais um ano. E pedir que faça 'chover a cântaros' ...
Beijinhos, Sant Anna
LINDÍSSIMO!
ResponderExcluirQue esse ano que se inicia
Seja transbordante de muita paz, amor e saúde.
Para mim, para você, para nossas famílias.
Que haja harmonia, paciência e sabedoria.
Que a fé nos impulsione a buscar dias melhores.
E que jamais venhamos a duvidar que existe um plano maior e melhor para nós.
Sensacional. Palavras, sílabas, desejo, tesão, página, caneta...tudo misturado num mar de construções simbólicas e talvez dúbias.
ResponderExcluirboa tarde JC
ResponderExcluirO poema mergulha-nos numa intensa fusão entre corpo, palavra e criação poética, onde o desejo se transforma em escrita e a escrita se faz pulsação viva.
Com imagens sensoriais fortes e linguagem profundamente evocativa, o autor conduz-nos pelo ato de criar como experiência carnal e espiritual, revelando a poesia como território de entrega, nascimento e reinvenção constante.
Boa semana com saúde e Poesia
:)
Amigo José Carlos
ResponderExcluirSaúda este ano de 2026 com um poema intenso.
Vai buscar ao âmago da alma e do corpo essa força
anímica que faz viver e olhar à volta com muito afã,
à procura da fonte ou do cântaro que vai à fonte.
Despejando tudo o que há de emoções e quereres
numa dança de música ritmada e profunda, eis o
dom perene da vida.
Demorei a chegar, mas cheguei. Daqui lhe envio gratos
votos de um ano de muita inspiração.
Beijinhos
Olinda
Que texto intenso saiu dessa caneta para o papel. Um texto onde se confunde a escrita com a vida e com o amor, onde nos deixa a pensar como é belo ter emoções assim feitas de palavras que parecem música. Adorei.
ResponderExcluirQue o ano 2026 seja um ano de paz no mundo e muita saúde para si e para a sua família
Um beijo.
Boa noite, li devorando seu poema e depois
ResponderExcluirvoltei para ler as gentilezas da vida.
Feliz ano novo, Muita saúde e paz.
beijos
"Mas bah..." querido amigo, é isso que o gaúcho diz quando é lindo demais! Quando algo é cheio de sentimentos. Quando não precisa palavras, estão todas elas nessa gíria!
ResponderExcluirAplaudo daqui!
Um ótimo fim de semana, muita paz e muitas criações poéticas!
Beijo.
En tu medida y a tu medida brotan estos versos, fluyen las palabras y te atrapan
ResponderExcluirmagnificos como siempre Jose Carlos
Que tengas un precioso año
Un abrazo
Olá, amigo José Carlos, passo por este importante espaço,
ResponderExcluirpara desejar ao nobre amigo, um ótimo final de semana, com muita saúde e muita paz.
Voltarei na próxima postagem, com muita satisfação.
Grande abraço!
Leio este poema com um misto de vertigem e ternura, como quem toca algo vivo. Há nele uma sensualidade que não se apressa, que nasce da palavra antes de escorrer para o corpo — e talvez por isso seja tão intensa. Sinto a escrita como um rito íntimo, em que o desejo e a criação se confundem, onde a caneta deixa de ser instrumento e passa a ser extensão do sentir.
ResponderExcluirGosto especialmente dessa fusão entre o fazer poético e o arrebatamento físico: as sílabas respiram, suam, sangram e gemem junto com quem as escreve. Nada é gratuito; tudo pulsa com consciência estética e entrega. O poema se constrói no toque, no ritmo, no silêncio que suplica — e isso o torna profundamente humano.
É um texto que me atravessa devagar, que se faz e se refaz em camadas, como o próprio desejo: ora brando, ora voraz, sempre verdadeiro. Ao final, fico com a sensação de ter assistido ao nascimento do poema por dentro — no lugar exato onde palavra e carne se reconhecem.
ABRAÇOS