Em meioa um tormentoso frioe em engasgada ânsia,ela diz"és de mim que nasces",imberbe,vens mais perto, vens,e beija-me, e beija-me,e suplica-me no teu silêncioe no sorriso que leva o brilhoaos teus olhos.E toca-me,e beija-me,e toma a minha canetaem suas mãos,massageando-a delicadamenteà beira de extravasaro precioso líquidoenquanto as minhas mãosse expande pelo teu corpo,onde me perco, onde me acho,desenhando sílabasque se enroscam vorazes,impelindo-mepara dentro da tua mancha brancaquando sangramàs margens do teu cântarooutras sílabas e palavras e suspiros.E transpiro. E saboreio o canto, o ritmo,a musicalidade no teu corpo,do teu corpo, pelo meu corpo.Trêfegas,volto a desenhá-lasna página em fogo mais brandoe antevejo o longo fiocosturandoa face ainda oculta do poemaque revela seus dentesao se fazer e se refazer em minha medulae no desejo que me impele à salivaçãono vagar e nos afagos.(José Carlos Sant Anna)dezembro, 2025.
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