segunda-feira, 13 de abril de 2026

Delírio


 Imagem Pixabay

Nas curvas do rio bandeiras tremulam 

nas dunas do tempo 

sem que se esbanje o verbo 

ou se perceba as discrepâncias entre as vozes 

ou se apreenda a febre das palavras. 

 

Mas esse é o caminho à mercê

do que quer que seja 

por mais do que um instante 

ou seja lá o que for 

para se começar uma história, 


porém eu ainda não descobri se o prazer da escrita 

é capaz de produzir linhas paralelas

nesse relevo antes que o delírio 

como gotas de orvalho umedeça as páginas em branco.


                    José Carlos Sant Anna,

                     27 de março de 2026


10 comentários:

  1. Por vezes delira-se assim, por entre águas de um rio e gotas de orvalho... mas a escrita nem sempre é assim tão paralela, porque os relevos da vida são mais que muitos.

    Beijinhos e boa semana!

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  2. Um poema que transborda o frescor do orvalho e a febre da palavra.
    Sempre um desafio à escrita criativa , estilo inconfundível e só seu.
    Meditação, introspecção e alguma liberdade. Não deixe a produção do sabor doce das suas palavras encharque páginas em branco.
    Abraço e carinho, Sant Anna.

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  3. Amigo José Carlos,, boa noite de paz!
    Com gotas de orvalho, poderá compor poemas umedecidos de paz e amor puro.
    Tenha dias novos abençoados!
    Abraços fraternos

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  4. Olá, querido amigo José Carlos,
    Ler um poema de sua lavra, como é o caso de 'Delírio', desta postagem, não é das tarefas mais fáceis, mas mesmo assim posso dizer que se trata de uma metalinguagem, no qual você procura as palavras com suas nuances e significados para entregar a nós, seus leitores, a sua mensagem, como de fato ocorreu.
    Que criação poética linda, meu amigo!
    Votos de uma feliz semana, com muita paz, saúde e alegria.
    Beijo, José Carlos.

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  5. Olá, amigo José Carlos, li este seu excelente poema, com espírito futurista, para além do século
    XXI, poeta moderno que você é, sempre à frente de seu tempo, mas, por outro lado, é um poema que nos encanta pelo tema e pela linguagem.
    Meus parabéns, caro poeta baiano.
    Um grande abraço do seu amigo daqui de Porto Alegre.

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  6. Um poema que percorre o limiar entre consciência e delírio, onde a escrita surge como território instável, ora contido, ora febril, revelando a dúvida como motor criativo...

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  7. Boa tarde JC
    Este Poema constrói uma atmosfera fluida e quase onírica, onde a linguagem parece oscilar entre o controlo e a vertigem. As imagens iniciais “curvas do rio”, “dunas do tempo” instauram um espaço simbólico em constante mutação, sugerindo que tanto o tempo quanto a palavra são matérias moldáveis, mas difíceis de fixar. Há uma tensão subtil entre a contenção (“sem que se esbanje o verbo”) e a inevitável fragmentação das vozes, como se o sujeito poético reconhecesse os limites da própria linguagem.
    Na segunda parte, o poema assume um tom mais reflexivo, quase confessional, questionando o próprio ato de escrever: será o prazer da escrita capaz de ordenar o caos, de traçar “linhas paralelas” nesse relevo incerto? O fecho, com o delírio que “umedece as páginas em branco”, é particularmente eficaz, transforma a inspiração em algo orgânico, delicado e inevitável, como o orvalho. Assim, o poema não oferece respostas, mas habita com elegância esse espaço de dúvida, onde a criação nasce precisamente da instabilidade.
    Boa semana com saúde e inspiração.
    Deixo um beijo
    :)
    https://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/

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  8. Gostava de desvendar os pensamentos do Poeta e penetrar nos
    sentimentos que o animam quando escreve deste modo.
    As páginas em branco preenchidas com a humidez das gotas
    de orvalho darão uma bela história, em torno da qual sobrevoam
    o desejo e o paralelismo das palavras.
    Um bom fim-de-semana, meu amigo José Carlos.
    Beijinhos
    Olinda

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  9. Ola JC,
    Voce escreve poesias belas e tocantes.
    Adorei o final:
    porém eu ainda não descobri se o prazer da escrita
    é capaz de produzir linhas paralelas
    nesse relevo antes que o delírio
    como gotas de orvalho umedeça as páginas em branco.
    Sensível e lindo.
    beijo

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  10. As palavras podem traçar muitas linhas. E entrelinhas...
    Magnífico poema, gostei imenso.
    Boa semana.
    Um abraço.

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