Imagem Pixabay
Nas curvas do rio bandeiras
tremulam
nas dunas do tempo
sem que se esbanje o verbo
ou se perceba as discrepâncias entre as
vozes
ou se apreenda a febre das palavras.
Mas esse é o caminho à mercê
do que quer que seja
por mais do que um instante
ou seja lá o que for
para se começar uma história,
porém eu ainda não descobri se o prazer da
escrita
é capaz de produzir linhas paralelas
nesse relevo antes que o delírio
como gotas de orvalho umedeça as páginas em branco.
José Carlos Sant Anna,
27 de março de 2026

Por vezes delira-se assim, por entre águas de um rio e gotas de orvalho... mas a escrita nem sempre é assim tão paralela, porque os relevos da vida são mais que muitos.
ResponderExcluirBeijinhos e boa semana!
Um poema que transborda o frescor do orvalho e a febre da palavra.
ResponderExcluirSempre um desafio à escrita criativa , estilo inconfundível e só seu.
Meditação, introspecção e alguma liberdade. Não deixe a produção do sabor doce das suas palavras encharque páginas em branco.
Abraço e carinho, Sant Anna.
Amigo José Carlos,, boa noite de paz!
ResponderExcluirCom gotas de orvalho, poderá compor poemas umedecidos de paz e amor puro.
Tenha dias novos abençoados!
Abraços fraternos
Olá, querido amigo José Carlos,
ResponderExcluirLer um poema de sua lavra, como é o caso de 'Delírio', desta postagem, não é das tarefas mais fáceis, mas mesmo assim posso dizer que se trata de uma metalinguagem, no qual você procura as palavras com suas nuances e significados para entregar a nós, seus leitores, a sua mensagem, como de fato ocorreu.
Que criação poética linda, meu amigo!
Votos de uma feliz semana, com muita paz, saúde e alegria.
Beijo, José Carlos.
Olá, amigo José Carlos, li este seu excelente poema, com espírito futurista, para além do século
ResponderExcluirXXI, poeta moderno que você é, sempre à frente de seu tempo, mas, por outro lado, é um poema que nos encanta pelo tema e pela linguagem.
Meus parabéns, caro poeta baiano.
Um grande abraço do seu amigo daqui de Porto Alegre.
ResponderExcluirUm poema que percorre o limiar entre consciência e delírio, onde a escrita surge como território instável, ora contido, ora febril, revelando a dúvida como motor criativo...
Boa tarde JC
ResponderExcluirEste Poema constrói uma atmosfera fluida e quase onírica, onde a linguagem parece oscilar entre o controlo e a vertigem. As imagens iniciais “curvas do rio”, “dunas do tempo” instauram um espaço simbólico em constante mutação, sugerindo que tanto o tempo quanto a palavra são matérias moldáveis, mas difíceis de fixar. Há uma tensão subtil entre a contenção (“sem que se esbanje o verbo”) e a inevitável fragmentação das vozes, como se o sujeito poético reconhecesse os limites da própria linguagem.
Na segunda parte, o poema assume um tom mais reflexivo, quase confessional, questionando o próprio ato de escrever: será o prazer da escrita capaz de ordenar o caos, de traçar “linhas paralelas” nesse relevo incerto? O fecho, com o delírio que “umedece as páginas em branco”, é particularmente eficaz, transforma a inspiração em algo orgânico, delicado e inevitável, como o orvalho. Assim, o poema não oferece respostas, mas habita com elegância esse espaço de dúvida, onde a criação nasce precisamente da instabilidade.
Boa semana com saúde e inspiração.
Deixo um beijo
:)
https://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
Gostava de desvendar os pensamentos do Poeta e penetrar nos
ResponderExcluirsentimentos que o animam quando escreve deste modo.
As páginas em branco preenchidas com a humidez das gotas
de orvalho darão uma bela história, em torno da qual sobrevoam
o desejo e o paralelismo das palavras.
Um bom fim-de-semana, meu amigo José Carlos.
Beijinhos
Olinda
Ola JC,
ResponderExcluirVoce escreve poesias belas e tocantes.
Adorei o final:
porém eu ainda não descobri se o prazer da escrita
é capaz de produzir linhas paralelas
nesse relevo antes que o delírio
como gotas de orvalho umedeça as páginas em branco.
Sensível e lindo.
beijo
As palavras podem traçar muitas linhas. E entrelinhas...
ResponderExcluirMagnífico poema, gostei imenso.
Boa semana.
Um abraço.